Encerrando 2024 com a consolidação do Retail Media e a ascensão do Commerce Media

Como fiel militante da colaboração de dados e do retail media, encerro 2024 com a sensação de não ter pregado no deserto. O amadurecimento do retail media no mercado latino-americano é evidente, e me sinto privilegiada por ter contribuído e acompanhado essa transformação de perto. O que antes parecia uma aposta de poucos, agora se consolida como um movimento firme, com cada vez mais empresas investindo em estratégias baseadas em dados primários e na colaboração.

Ao longo do ano, testemunhei grandes campanhas que nasceram desse amadurecimento. Um exemplo marcante foi a campanha realizada em parceria entre Rappi, Coca-Cola e LiveRamp, que demonstrou como a colaboração entre marcas e plataformas pode gerar resultados expressivos. Projetos como esse não apenas reforçam o potencial do retail media, mas também mostram que o mercado está mais preparado para explorar as inúmeras possibilidades que os dados oferecem.

Ainda há muito trabalho pela frente, mas os resultados do retail media já começam a extrapolar as fronteiras do varejo. Sabemos que a colaboração de dados é uma possibilidade em diversos segmentos e que o varejo tem se apresentado como o caminho mais natural. Porém, o varejo foi apenas a porta de entrada. Esse modelo pode ser aplicado a diferentes indústrias, inaugurando uma nova era de inovação no marketing: o commerce media.

Commerce Media e suas possibilidades

Enquanto o retail media se concentra no varejo, o commerce media expande o uso de dados primários para outros setores, como finanças, viagens e serviços de entrega. Esse movimento, que já está ganhando força globalmente, também começou a se consolidar por aqui.

Ao longo de 2024, participei de discussões nas quais esse tema já começa a surgir, tanto em conversas informais quanto em palcos de eventos. Um exemplo foi durante o Marketing Data Science 2024, quando representantes do Uber Ads falaram sobre o poder que a segmentação estratégica traz para as marcas e como, aliada ao trabalho colaborativo, ela pode moldar o futuro da publicidade.

Se o retail media foi o ponto de partida, o commerce media surge como um próximo passo natural — e transformador. Ele amplia o uso de dados transacionais primários para campanhas publicitárias altamente segmentadas, indo além do varejo e alcançando setores diversos.

Um estudo do eMarketer, com o apoio da LiveRamp, mostra que empresas dentro do cenário de e-commerce (como Chase e PayPal) e fora dele (como Planet Fitness e Uber) perceberam a ascensão meteórica do retail media e descobriram como monetizar seus dados primários, intensificando a concorrência com as redes de mídia de varejo.

Em paralelo, à medida que a indústria de retail media amadureceu, alguns varejistas começaram a disponibilizar inventários publicitários selecionados para anunciantes não endêmicos, ampliando o potencial de monetização.

Segundo o mesmo estudo, as verticais de Finanças e Viagens devem liderar como os próximos grandes mercados de crescimento em commerce media.

De acordo com a previsão do eMarketer, embora o gasto com anúncios em redes de mídia financeira dos EUA seja menor do que no varejo, que deve alcançar US$ 2,53 bilhões em 2025 (um aumento de 18,9%), ele crescerá muito mais rápido, chegando a 103,1%, com uma expectativa de atingir US$ 710 milhões.

Apesar de esses dados serem do mercado americano, a história mostra que, mesmo com atraso, seguimos a mesma tendência por aqui. Por isso, estou certa de que em breve veremos cases de colaboração de dados em outras verticais.

Muito animada e ansiosa para ver o que 2025 nos trará!

Thaissa Gentil
Thaissa Gentil
Head of Brand Sales Latam da LiveRamp. Com mais de 14 anos de experiência em monetização de dados, publicidade digital e no varejo, a executiva tem a missão de ativar o ecossistema de publicidade em todas as suas vertentes, com foco na colaboração de dados e commerce media, desenvolvendo o negócio LiveRamp no Brasil e na América Latina. Antes de ingressar na LiveRamp, Thaissa atuou no Rappi, na Johnson & Johnson e na Kimberly-Clark, entre outras empresas.

Ler mais

— Publicidade —

Conteúdos relacionados

Incrementalidade em Retail Media: o mercado fala muito, mas mede pouco

Nos últimos dois anos, incrementalidade virou uma das palavras mais repetidas dentro de Retail Media. Praticamente todo pitch comercial promete provar impacto incremental. Quase...

AWS + OpenAI: A aliança que pode redefinir a infraestrutura global de Retail Media

A possível ampliação da cooperação estratégica entre Amazon Web Services (AWS) e OpenAI em um contexto onde a Amazon já acelera seus investimentos em...

A PONTA DE GÔNDOLA VAI MUDAR PARA SEMPRE, MAS O VAREJO BRASILEIRO AINDA NÃO PERCEBEU

A ponta de gondola como ativo estratégico de In-Store Media A ponta de gôndola (End Cap) sempre foi o metro quadrado mais disputado do varejo...

Google promete reinventar a publicidade com IA, mas pode fazer isso sem os dados do varejo?

A carta anual de Vidhya Srinivasan, VP Global de Advertising & Commerce do Google, tradicionalmente antecipa os movimentos estruturais da publicidade digital. Em 2026,...