Do retail media ao campo de jogo: a lógica da colaboração de dados chega ao marketing esportivo

Quem me conhece já me viu com a bandeira do Fluminense debaixo do braço em reuniões, eventos ou em qualquer canto onde o assunto seja esporte. Torcedora apaixonada, eu sempre acreditei no poder de mobilização que o futebol — e os esportes em geral — têm sobre as pessoas. Mas é justamente por observar essa força de perto que me chama atenção como o marketing esportivo está mudando. E, surpresa para ninguém por aqui: ele está trilhando um caminho muito parecido com o que já vimos no retail media.

Se o varejo digital nos mostrou que dados primários e colaboração estratégica entre marcas e plataformas criam campanhas mais relevantes e eficazes, agora vemos essa mesma lógica migrando para outros setores. Um deles, naturalmente, é o universo esportivo — onde engajamento não falta, mas o desafio sempre foi saber como ativá-lo de forma inteligente.

No lugar de campanhas genéricas e massificadas, o marketing esportivo começa a adotar uma abordagem mais parecida com o commerce media: usar dados reais para entender o comportamento dos fãs e transformar essa inteligência em ações personalizadas, contextuais e mensuráveis. É sair do “falar com todo mundo” e entrar no “conversar com quem realmente importa, no momento certo”.

Esse modelo — audience-first, performance-backed — tem guiado desde campanhas de grandes marcas em eventos globais até ações com ligas emergentes e comunidades locais. A personalização que já virou regra no varejo agora ganha força também nas arquibancadas (físicas ou digitais). Um case que me chamou atenção foi o da ASICS, que usou clean rooms para cruzar dados regionais e otimizar investimentos de mídia com precisão quase cirúrgica.

E essa transformação não está restrita às marcas esportivas tradicionais. Plataformas como Uber Ads, PayPal e até academias como Planet Fitness estão se posicionando como players relevantes no ecossistema de mídia. Com base em seus dados primários, criam inventários segmentados e altamente valiosos para marcas que buscam se conectar com públicos específicos — inclusive fãs de esporte.

Durante um evento da LiveRamp em Cannes, essa virada de chave foi descrita como o futuro do marketing esportivo. Mas, para quem acompanha o avanço do retail media, fica claro que não se trata de futuro — é presente. E está se desenhando com a mesma lógica que impulsionou o crescimento da mídia no varejo: colaboração, inteligência de dados e foco em relevância.

A Copa do Mundo, as Olimpíadas e outros eventos à vista, prometem acelerar esse movimento. Mas a lição já está aí para quem quiser ver (e jogar): no esporte, assim como no varejo, dados ganham o jogo — desde que sejam usados com estratégia, sensibilidade e, claro, muita paixão.

Do setor de mídia ao Maracanã, sigo torcendo — pelo Fluzão e por um marketing mais conectado com as pessoas.

Saudações Tricolores!

Thaissa Gentil
Thaissa Gentil
Head of Brand Sales Latam da LiveRamp. Com mais de 14 anos de experiência em monetização de dados, publicidade digital e no varejo, a executiva tem a missão de ativar o ecossistema de publicidade em todas as suas vertentes, com foco na colaboração de dados e commerce media, desenvolvendo o negócio LiveRamp no Brasil e na América Latina. Antes de ingressar na LiveRamp, Thaissa atuou no Rappi, na Johnson & Johnson e na Kimberly-Clark, entre outras empresas.

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